“Frente a Frente” na Assembleia da República
Márcia Fernandes
l Ivo Dinis de Oliveira
nasceu em 1981, na cidade de Vila Real. É doutorado em Gestão e professor
universitário. O gosto pela política surge aos 20 anos, quando entrou para a
Juventude Socialista (JS), incentivado por um grupo de amigos. Sempre se
identificou com os ideais socialistas, como as questões da igualdade, o facto
de ser um partido mais humanista, que defende uma distribuição mais justa de
rendimentos. Fez o seu percurso dentro da Juventude Socialista, foi
presidente da distrital e membro da Comissão Nacional. Chegou a deputado em
julho de 2014, altura em que foi substituir Pedro Silva Pereira, que entretanto
seguiu para o Parlamento Europeu.
Não é deputado em regime de exclusividade,
porque quis manter a ligação ao mundo real e à vida das pessoas. Dá aulas na
Universidade do Minho, onde não é remunerado, e também no ISLA, onde já aufere
um salário porque é uma instituição de ensino privada. “A minha vida é muito
ativa, com alguns sacrifícios pessoais, pois não é fácil conciliar as duas
profissões, mas gosto do contacto com as pessoas, que nos fazem chegar as suas
preocupações, e nós apresentamos propostas para tentar solucionar os seus
problemas”. Pertence às comissões Parlamentares de Saúde, de Assuntos Europeus
e de Orçamento Finanças e Administração Pública. Neste seu curto mandato tem
como prioridades a procura de soluções para os principais problemas do país,
em que tem especial atenção às regiões mais desfavorecidas do interior de
Portugal. E como integrou a lista do PS nas últimas legislativas como
representante da Juventude, tem tentado dar voz aos problemas dos jovens
confrontados com o “flagelo do desemprego e enorme precariedade laboral, que
tem levado a uma nova vaga de emigração”.
Sobre a elevada abstenção que se tem
verificado nas diversas eleições, sobretudo entre os mais jovens, o deputado
vila-realense acredita que a Regionalização poderia resolver este problema,
uma vez que “os eleitores poderiam escolher diretamente os seus representantes”.
“Sempre a acreditamos que deputados e eleitores devem estar próximos e seria
muito importante que os jovens estivessem mais próximos dos políticos.
Recentemente saiu um estudo que indica que 72 por cento dos jovens ‘Erasmus’
não acredita nos políticos europeus. Cabe ao poder político contrariar essa
situação, acho que a Regionalização poderia funcionar como um bom meio para
solucionar o problema e também os próprios eleitores escolherem o seu
deputado. Aliás, o PS tem estado aberto a esse tipo de iniciativas, como as
primárias para a escolha do secretário-geral. As pessoas têm de se sentir
representadas e, sobretudo, têm que sentir que os seus problemas têm voz”.
Apesar de serem eleitos para representar o
país, Ivo Oliveira não esquece a região que o elegeu e os problemas do interior
estarão sempre na sua linha de pensamento. “Trás-os-Montes tem muitos
problemas, mas sobretudo na saúde, com a falta de médicos, e por isso tem de
merecer outra atenção. Estive em Salto (Montalegre), onde um médico ficou de
baixa e a partir daí as pessoas ficaram privadas de aceder a cuidados de saúde
mais próximos da sua localidade. O mesmo aconteceu em Boticas, em Tourém e um
pouco por toda a região transmontana”.
Ivo Oliveira considera que a atual geração de
políticos é melhor que a anterior e dá como exemplo a Presidência da República.
“Se tivéssemos um presidente de uma geração mais jovem, estaríamos muito
melhor servidos. As gerações têm-se aprimorado, os jovens são cada vez mais
qualificados, conhecem melhor o mundo, mas é preciso que haja espaço para
estas gerações, pois se nós condenamos uma geração a emigrar e ao desemprego, é
natural que venhamos a ter problemas nas nossas elites políticas e empresariais.
Há necessidade de fazer algumas mudanças”.
Sobre a relação com os outros deputados
eleitos pelo mesmo círculo eleitoral, o professor diz que é um relacionamento
aberto e cordial, no entanto há áreas centrais que os separam, sobretudo na
agricultura e na saúde. “Em algumas questões da região até estamos em sintonia,
mas nem sempre. Quando defendemos os produtores da castanha em Valpaços, que
sofreram uma quebra drástica na produção, vi com tristeza o PSD a votar contra
esse projeto. No entanto, há outras matérias que temos trabalhado em conjunto,
como a questão do Barro Preto de Bisalhães”.
Entre os outros deputados da Assembleia da
República, o convívio também é cordial, mas ao mesmo tempo é um ambiente de
combate político. “Não estamos de acordo em diversos assuntos e por vezes as
discussões aquecem e deixam um certo mau estar. Apesar de ser um ambiente duro
de combate político entre bancadas, há que perceber a função do outro”.
Ainda novo nestas andanças, Ivo tem a
certeza que é mais fácil ser deputado de apoio a uma maioria de governo do que
se estiver na oposição. “Estar na oposição é bastante mais frustrante, uma vez
que apresentamos as nossas propostas, que até são boas, mas depois estão
condenadas ao insucesso, já que a maioria veta sempre essas iniciativas. Quando
se é deputado de uma maioria sólida e de governo, temos a possibilidade de
fazer coisas e de ter maior capacidade de realização”.
Sobre o futuro do país e de Trás-os-Montes em
especial, o jovem transmontano gostaria de voltar a ser eleito deputado e
espera que o seu partido vença as próximas eleições com maioria absoluta. Se
isso não acontecer, refere que o PS terá de encontrar soluções à sua esquerda.
“Teremos de governar sem Bloco Central, porque essa não é a verdadeira alternativa.
O caminho do PS terá de ser radicalmente diferente do que tem sido seguido por
esta maioria. Tem de demostrar que é uma alternativa, que está centrada nas
pessoas e no desenvolvimento do país”.
Ivo Oliveira deixa rasgados elogios ao
secretário-geral do partido, António Costa, porque acredita que é a pessoa
certa para liderar uma verdadeira mudança no país. “É um homem que traz um
capital de esperança à política portuguesa, as pessoas reconhecem o bom
trabalho que tem feito na Câmara de Lisboa, a sua credibilidade, seriedade e
capacidade de fazer diferente. No entanto, é preciso ter um projeto de mudança
em que as pessoas acreditem que será o melhor para elas e para o país. Só
assim será possível alcançar uma maioria sólida e que trará um futuro melhor
aos portugueses”.