A atitude do Governo em relação à TAP só poderia dar mau
resultado. O Governo vem insistindo na errada estratégia de privatização, sendo
responsável por toda esta turbulência provocada na companhia e pelos impactos negativos
que traz à economia. Em final de legislatura era desnecessária esta teimosia.
Não existindo um apoio claro por parte da opinião pública, e
não sendo verdade que a União Europeia não permita a
capitalização pública, o processo não deveria prosseguir.
O
mercado da aviação comercial está em acelerada mudança. As distâncias mais
curtas são dominadas pelas companhias low
cost, como a Ryanair, que apostam
em preços baixos, menos serviço, um só modelo de Avião e voos para aeroportos
secundários. A estratégia é simples: liderança por baixos custos.
No
caso dos voos de longo curso, estes são no presente operados maioritariamente
por grandes companhias, de pendor estatal, situadas em locais geoestratégicos,
com acesso barato ao combustível e capacidade de investimento para renovar a
frota. Um bom exemplo será a Emirates,
no Dubai.
Para
uma companhia como a TAP, a vantagem competitiva estaria na ligação com a
América, a que estas “bases” no Médio Oriente ainda têm dificuldade em chegar.
Outro
espaço que não devemos abandonar é o da Lusofonia. A semana passada visitei Goa,
local onde ainda há muita gente a falar português. Este é um campo natural de
aproximação entre povos e culturas, onde os portugueses são reconhecidos. Esta
ligação é uma boa janela de oportunidade para aproveitar as potencialidades de
um Estado asiático em forte progresso e crescimento. Deve ser incentivado o aprofundamento
de relações bilaterais ao nível comercial, empresarial e mesmo a geminação
entre municípios.
Concluindo,
competir com as low cost ou nos voos
para a Ásia será sempre difícil, mas é possível redesenhar a TAP como uma
companhia capaz de competir com vantagem no mercado da lusofonia e nas ligações
Europa/América.
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