Portugal é um país com uma forte assimetria de
desenvolvimento entre o litoral e o interior. Esta realidade não é apenas do
presente. Já Eça a havia definido de forma lapidar com a expressão “Portugal é Lisboa
e o resto é paisagem”. Mas caso nos tivéssemos esquecido, o Primeiro- Ministro
Pedro Passos Coelho, veio recordar-nos que “é caro e ineficiente manter todos os serviços abertos no interior“. E pretende agora impor-nos portagens na Autoestrada
Transmontana. Consideramos inadmissível a introdução de portagens na A4.
Estas vias são fundamentais para provocar efetivas dinâmicas de desenvolvimento
regional. Recorde-se que o interior norte foi a última região do país a estar
servida por Autoestradas.
O INE publicou no mês de Junho o Índice
Sintético de Desenvolvimento Regional, resultado do desempenho conjunto nas
componentes competitividade, coesão e qualidade ambiental em Portugal. Da
análise do ranking das diversas regiões, conclui-se que o pódio fica para
Lisboa, Minho e Porto. O trio menos desenvolvido é o Douro, Açores e Alto
Tâmega. É missão dos Governantes e agentes políticos alterarem esta iniqua
situação. Para mudar é preciso fazer diferente. É necessário uma verdadeira intervenção discriminada no território.
Outra medida simples de
tomar seria não encerrar mais serviços públicos no interior, porque são essenciais
uma vez que geram as necessárias economias de aglomeração e qualificam o território.
Não haja dúvida que um território desqualificado de serviços de apoio ao
cidadão, seja na saúde, na educação ou na justiça terá crescentes dificuldades
de atração de empresas e cidadãos. Quando pensamos em deslocar empresas do
litoral para o interior, não são apenas os custos fixos e variáveis, ou as
majorações fiscais que contam. É também a atratividade do território para que
os recursos humanos aceitem mudar a sua vida e a das suas famílias para
localizações diferentes da sua origem.
Infelizmente
este é um Governo centralista, que obliterou e desconsiderou o interior do
país.
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