domingo, 19 de julho de 2015

Uma medida: não portajar a Autoestrada Transmontana

Portugal é um país com uma forte assimetria de desenvolvimento entre o litoral e o interior. Esta realidade não é apenas do presente. Já Eça a havia definido de forma lapidar com a expressão “Portugal é Lisboa e o resto é paisagem”. Mas caso nos tivéssemos esquecido, o Primeiro- Ministro Pedro Passos Coelho, veio recordar-nos que “é caro e ineficiente manter todos os serviços abertos no interior“. E pretende agora impor-nos portagens na Autoestrada Transmontana. Consideramos inadmissível a introdução de portagens na A4. Estas vias são fundamentais para provocar efetivas dinâmicas de desenvolvimento regional. Recorde-se que o interior norte foi a última região do país a estar servida por Autoestradas.
O INE publicou no mês de Junho o Índice Sintético de Desenvolvimento Regional, resultado do desempenho conjunto nas componentes competitividade, coesão e qualidade ambiental em Portugal. Da análise do ranking das diversas regiões, conclui-se que o pódio fica para Lisboa, Minho e Porto. O trio menos desenvolvido é o Douro, Açores e Alto Tâmega. É missão dos Governantes e agentes políticos alterarem esta iniqua situação. Para mudar é preciso fazer diferente. É necessário uma verdadeira intervenção discriminada no território.
Outra medida simples de tomar seria não encerrar mais serviços públicos no interior, porque são essenciais uma vez que geram as necessárias economias de aglomeração e qualificam o território. Não haja dúvida que um território desqualificado de serviços de apoio ao cidadão, seja na saúde, na educação ou na justiça terá crescentes dificuldades de atração de empresas e cidadãos. Quando pensamos em deslocar empresas do litoral para o interior, não são apenas os custos fixos e variáveis, ou as majorações fiscais que contam. É também a atratividade do território para que os recursos humanos aceitem mudar a sua vida e a das suas famílias para localizações diferentes da sua origem.

Infelizmente este é um Governo centralista, que obliterou e desconsiderou o interior do país.

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