quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Túnel do Marão – Marca do Partido Socialista na Região

O Túnel do Marão é uma marca indelével do Partido Socialista na região. Esta obra, juntamente com a Autoestrada Transmontana sem portagens, constituíam os pilares de suporte a toda uma estratégia de desenvolvimento regional. O combate à interioridade e o reforço da coesão territorial passavam pela conclusão destas vias de comunicação estruturantes, garantindo a mobilidade em condições atmosféricas adversas de gelo ou neve, a redução dos tempos de percurso e o reforço da segurança rodoviária. Os benefícios económicos e sociais eram estimados em 1138 milhões de euros.
Centrando no túnel, desde o seu início que a obra teve uma história de avanços e paragens, como um automóvel numa metrópole movimentada em hora de ponta. A última das quais, pela sua extensão no tempo e pela prática política de austeridade excessiva que bloqueou o país, motivou as maiores preocupações. Assim, foi com alívio que assistimos ao retorno de trabalhadores e máquinas à Serra do Marão.
Saudando o retomar da obra, importa dar nota para que se salvaguardem as nascentes e regadios existentes. Seria também importante o melhoramento dos caminhos agrícolas e dos acessos às populações, intervindo em termos de pisos e sinalização. É também vantajoso que a água acumulada na autoestrada seja escoada convenientemente, para que não destrua caminhos e propriedades, como está a acontecer nos nós da Campeã e de Torgueda.

O interior norte foi a última região do país a estar servida por autoestradas. Valerá a pena comparar o montante de investimentos rodoviários aqui efetuados por governos liderados pelo PS em relação aos chefiados pelo PSD. O Partido Socialista leva larga vantagem nesta contabilidade. A propósito, foi esta semana apresentado o Plano de Investimentos (2015-2020) e o Plano de Proximidade (2015-2019), a realizar pela empresa pública “Estradas de Portugal”. No primeiro caso, para o nosso território, consta apenas o referido túnel. No segundo, lá volta Vila Real para a cauda dos distritos no que respeita ao investimento rodoviário. Não há prenda de Natal para os transmontanos!

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Expectativas Frustradas: O pior Orçamento de sempre para a região

Era com as mais altas expectativas que a região aguardava este Orçamento de Estado. Por duas razões principais: a primeira consistia na circunstância de, em Julho, Passos Coelho se ter associado à assinatura da Carta de Compromissos para o Desenvolvimento de Trás-os-Montes e Alto Douro; A segunda, porque sendo este o último orçamento realizado antes das eleições, consistia na derradeira oportunidade para o território ser discriminado positivamente, em virtude de ter um conterrâneo ao leme do país. Infelizmente, o nosso distrito tem beneficiado tanto por ter um transmontano como Primeiro-ministro, como Portugal beneficiou quando um português presidiu à Comissão Europeia.
O Orçamento de Estado para 2015 foi amplamente criticado pela generalidade das entidades independentes que o analisaram, devido à falta de credibilidade das previsões apresentadas. Num desses pareceres, o Conselho Económico e Social afirma a presença de uma visão puramente financeira e contabilística, que descura a garantia das funções sociais do Estado e ignora as disparidades territoriais e sociais. Alerta ainda para o agravamento da situação devido ao encerramento de vários serviços públicos.
Na realidade, este é o pior Orçamento de sempre para o nosso distrito, existindo várias situações reais na cultura, saúde, juventude, economia, justiça, agricultura, mobilidade e portagens, que assinalamos e perguntamos no âmbito do debate parlamentar na especialidade.

Uma última nota para realçar a diferença abissal entre o discurso e a prática deste Governo. Parece estar já em campanha. A semana passada realizou a visita de Outono. Novamente de mãos vazias, com elogios ao empreendedorismo, mas sem medidas palpáveis para o desenvolvimento da região. Na prática, já todos percebemos que com esta maioria PSD/CDS vai continuar a mesma política, impondo o encerramento de serviços públicos, portagens na autoestrada transmontana e o corte do número de funcionários, como na Segurança Social. 

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

PS pede esclarecimentos sobre falta de médicos no Hospital de Vila Real

Os deputados do PS eleitos pelo distrito de Vila Real pediram hoje esclarecimentos ao ministro da Saúde sobre a falta de médicos no Serviço de Medicina Interna do Centro Hospitalar de Trás-os-Montes e Alto Douro (CHTMAD).

“A escassez de recursos é de tal forma grave que o conselho de administração resolveu cancelar, de forma unilateral, o gozo de férias aos médicos desta especialidade durante o mês de dezembro de forma a tentar garantir o preenchimento de escalas”, referiram, em comunicado, os deputados Ivo Oliveira e Agostinho Santa.

A falta de médicos internistas no CHTMAD foi denunciada recentemente pelo Conselho Regional do Norte da Ordem dos Médicos e levou ao pedido de demissão do diretor do serviço.

Entre março e o verão saíram deste serviço três especialistas de medicina interna, o que fez baixar para 26 os médicos que trabalham nas três unidades que constituem o centro hospitalar, designadamente Vila Real (14), Chaves (9) e Lamego (3).

“De acordo com o denunciado pela Ordem dos Médicos, em três destas unidades que compõem o CHTMAD, os internistas realizam horas extraordinárias em excesso, existindo casos de profissionais a fazerem 80 a 100 horas extras por mês o que representa uma carga horária inaceitável, incapaz de garantir a qualidade e segurança da prestação de serviços sem colocar em risco a saúde dos doentes”, destacaram os parlamentares.

Ivo Oliveira e Agostinho Santa consideraram que, “para minimizar esta situação, é necessário que o Ministério da Saúde “envide todos os esforços, para que sejam desbloqueados os processos relativos à contratação de profissionais das diversas áreas”.

Na pergunta entregue hoje na Assembleia da República, os deputados questionaram o ministro Paulo Macedo sobre “se tem conhecimento desta situação” e como pretende o “Ministério da Saúde pôr termo a esta carência de profissionais no CHTMAD”.

Os socialistas querem ainda saber quais os esforços realizados pela tutela “de forma a desbloquear os processos relativos à contratação de profissionais das diversas áreas para este Centro Hospitalar”.

“A saída de profissionais de saúde, médicos e enfermeiros, sem que exista substituição imediata e as sucessivas restrições na contratação de profissionais impostas pelo Governo, estão a causar constrangimentos estruturais ao funcionamento dos serviços públicos de saúde”, salientaram ainda os deputados.

O diretor demissionário do Serviço de Medicina Interna, Trigo Faria, alertou segunda-feira para a “carga horária excessiva” e reivindicou “pelo menos mais três médicos para o serviço”.

Por sua vez, o CHTMAD já garantiu que, na unidade hospitalar de Vila Real, “existem médicos suficientes para assegurarem os serviços de urgência” e que, relativamente aos hospitais de Lamego e Chaves, “foram providenciadas medidas para colmatar as falhas existentes nestas unidades com a mobilidade e esforço de todos os médicos”.

Devido ao “excesso de médicos a tirarem férias em dezembro”, o conselho de administração salientou ainda que “foi necessário proceder ao cancelamento das mesmas por forma a assegurar os serviços e a qualidade assistencial a que o utente tem direito”.

 

PLI // MSP

Intervenção do Deputado Ivo Oliveira



Intervenção no âmbito da Comissão de Saúde - Audição João Lobo Antunes, Jorge Soares e Pedro Pita Barros

relatório "Um futuro para a saúde - todos temos um papel a desempenhar"

Numa semana em que se registam notícias sobre a falta de profissionais de Saúde no Centro Hospitalar de Trás-os-Montes e Alto Douro, importa salientar que a saúde tem que ser para todos

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Intervenção no âmbito da Proposta de Lei (GOV) transposições de directivas europeias



Intervenção em Plenário:
- Transposição de directivas europeias
- Código de valores mobiliários
- empreendedorismo social
- capital de risco

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Intervenção no debate na especialidade do Orçamento de Estado para 2015








Intervenção no debate na especialidade
do Orçamento de Estado para 2015.



- A ADSE passa a ser gerida pelo Ministério da Saúde, em vez do Ministério das
Finanças. E isso é paradigmático das prioridades deste Governo em relação á
saúde: Primeiro a contabilidade, as cobranças coercivas, as taxas e depois as
pessoas, o acesso, a saúde em concreto.



Falta uma verdadeira reforma da ADSE que o Governo foi
incapaz de fazer. Que o faça agora fora da discussão do Orçamento de Estado!

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Intervenção do Deputado Ivo Oliveira - COFAP/Audição ANMP



 Cláusula de salvaguarda do IMI e descentralização de competências para os Municípios

Intervenção do Deputado Ivo Oliveira COFAP/Audição Ministro da Saúde



- Um Orçamento pouco Saudável

- Falta de equidade de acesso aos cuidados de saúde a nível territorial

- Hospital de Vila Real: Problema ainda não resolvido na cobertura do 7º piso decorrente do temporal ocorrido há um ano

Intervenção do Deputado Ivo Oliveira COFAP/Audição Ministro Administraçã...



- "Meets": Estabelece o Governo alguma relação entre estes novos fenómenos e o agravamento das condições de vida dos jovens portugueses?

- Alguns relatos de discriminação

- Qual o acompanhamento dado a estes encontros e como pretende acompanhar encontros semelhantes no futuro?

Intervenção do Deputado Ivo Oliveira COFAP/Audição Ministro da Economia



- Autoestrada Transmontana

Intervenção do Deputado Ivo Oliveira COFAP/Audição Ministro da Educação ...



- A actual taxa de licenciados ainda longe da meta dos 40% da Agenda 2020
- OCDE: Portugal é dos mais desiguais no acesso à universidade
- Cursos Técnicos Superiores Profissionais
- Programa +superior

Intervenção do Deputado Ivo Oliveira COFAP/Audição Ministra da Agricultu...



Redução drástica na produção de castanha
- redução de efectivos na DRAPN
- Casa do Douro

Intervenção Deputado Ivo Oliveira COFAP/Audição Ministro Presidência e A...





- Pousadas da Juventude
- Movijovem
- Estratégia para a juventude a nível nacional e local
- Programa Juventude em Acção

Intervenção do Deputado Ivo Oliveira COFAP/Audição Secretário Estado da ...

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Recomendação ao Governo: medidas concretas para colmatar quebra de castanha

O PS vai recomendar ao Governo medidas concretas de apoio aos produtores afetadas pela «quebra drástica» na produção de castanha, entre as quais a possibilidade de isenção de coleta ou acesso mais rápido a fundos comunitários.

A recomendação, que será feita através de um Projeto de Resolução, será entregue esta semana na Assembleia da República pelos deputados socialistas. «Vamos recomendar ao Governo um conjunto de iniciativas concretas para ajudar os agricultores afetados pela diminuição drástica da produção de castanha na região de Trás-os-Montes e Alto Douro», afirmou hoje à agência Lusa o deputado Ivo Oliveira, eleito por Vila Real.
O projeto socialista poderá incluir propostas a nível da isenção de coleta para os pequenos agricultores, que possuem na castanha a sua principal fonte de rendimento, ou então o acesso mais rápido a fundos comunitários.
A produção de castanha em determinadas zonas de Vila Real sofreu uma grande quebra que foi provocada pela septoriose do castanheiro, um fungo que encontrou no verão ameno as condições ideias de desenvolvimento. O fungo atingiu a folha do castanheiro, que ficou de cor acastanhada e rebordo amarelo, originando a sua queda antecipada, e atacou também o pedúnculo do ouriço, provocando a sua queda precoce.
Segundo o deputado socialista Ivo Oliveira, acima dos 900 metros altitude, a quebra de produção é de 100%, entre os 800 e os 900 metros, a quebra produtiva é de 80% e até aos 800 metros, ainda assim, há uma redução na produção de 50 a 60%.
É na Denominação de Origem Protegida (DOP) da Padrela, que se estende pelos concelhos de Valpaços, Vila Pouca de Aguiar, Murça e Chaves, que se contabilizam mais estragos, mas a situação está generalizada às outras DOP da região, desde os soutos da Lapa à Terra Fria.
Lusa

Deputados do PS querem esclarecimentos sobre morte de idosa em Sabrosa

Deputados do PS querem esclarecimentos sobre morte de idosa em Sabrosa

Ler mais: http://expresso.sapo.pt/deputados-do-ps-querem-esclarecimentos-sobre-morte-de-idosa-em-sabrosa=f896016#ixzz3IzikD4z0


Sabrosa, 30 out (Lusa) -- Os deputados do grupo parlamentar do PS questionaram hoje o Governo sobre a acessibilidade aos cuidados de saúde no interior e pediram esclarecimentos sobre a morte de uma idosa de Sabrosa, depois de encontrar o centro de saúde fechado.
Na sexta-feira, uma mulher de 74 anos e residente em São Cristóvão do Douro, concelho de Sabrosa, ter-se-á sentido mal e recorrido ao centro de saúde local, onde alegadamente não foi atendida porque a unidade de saúde não estava em funcionamento devido à greve do pessoal administrativo e auxiliar do setor.
A septuagenária acabou por morrer, já nas instalações dos Bombeiros de Sabrosa, onde se dirigiu a pedir auxílio.


Ler mais: http://expresso.sapo.pt/deputados-do-ps-querem-esclarecimentos-sobre-morte-de-idosa-em-sabrosa=f896016#ixzz3Izj02Few

MOÇÃO – PELO ACESSO À SAÚDE EM TRÁS-OS-MONTES E ALTO DOURO

1.      Relatórios recentes mostram que a Justiça social em Portugal tem vindo a descer desde 2011, reportando dificuldade crescente de acesso aos cuidados de saúde.

A sociedade portuguesa está mais pobre. 10,9% dos portugueses vive em privação material severa e um quarto da população encontra-se em risco de pobreza ou de exclusão social. Nesta categoria incluem-se as pessoas que se encontrem em pelo menos uma de três situações: pessoas em risco de pobreza, pessoas em situação de privação material grave e pessoas que vivam em agregados familiares com muito fraca intensidade de trabalho. Os segmentos mais atingidos são as famílias com crianças a cargo, desempregados e menores de 18 anos.
A relação entre pobreza e saúde é evidente. O estado de saúde de um grupo populacional num território é definido não só pelos problemas e necessidades em saúde, mas também pela acessibilidade e respostas sociais a essas adversidades que os grupos mais vulneráveis têm que enfrentar, principalmente os que estão expostos à pobreza, exclusão social ou isolamento geográfico.
O agravamento do risco de pobreza é uma realidade em Portugal e os indicadores de qualidade de vida sobre o nosso país, mostram os portugueses insatisfeitos, desconfiados e inseguros.
O relatório de Primavera do Observatório Português dos Sistemas de Saúde alertava para dificuldades no acesso da população aos cuidados de saúde, referindo que “não se atende suficientemente às dificuldades e necessidades crescentes de uma população em empobrecimento”. O mais recente relatório da OCDE (Organização Cooperação e Desenvolvimento Económico) indica que em Portugal os gastos de saúde por parte do utente têm vindo a crescer, aumentando o seu peso no orçamento familiar.

2.      A saúde é atualmente entendida como um nível integral de conforto em termos físicos, mentais e de integração na sociedade, não se refletindo unicamente na não presença de qualquer tipo de doença, numa definição mais abrangente e direcionada para a qualidade de vida.

A saúde está diretamente ligada às condições de vida sendo influenciada por fatores sociais, como o rendimento, a educação, hábitos tabágicos, o envolvimento social, o saneamento ou a qualidade ambiental e habitacional. As condições de trabalho exercem um profundo impacto sobre a saúde dos trabalhadores. A prevenção e educação para a saúde é crucial para a orientação da população para a adoção de hábitos considerados saudáveis.


3.      A forma como uma crise socioeconómica afeta a saúde depende essencialmente da proteção social à partida e da qualidade das respostas.

Portugal atravessa, no presente, o maior período de recessão desde a Grande Depressão de 1930s. O motivo principal é a grave crise internacional, desencadeada pela bolha especulativa no setor imobiliário, nos Estados Unidos da América (EUA) e que se estendeu posteriormente à crise das dívidas soberanas. Este país é particularmente afetado devido à sua pequena dimensão, geográfica e económica, e à realidade de estar fortemente integrado na economia mundial. Acrescem ainda os problemas estruturais da economia portuguesa, no contexto do Euro.
Uma crise desta dimensão reflete-se ao nível macroeconómico, no comportamento de vários indicadores, como o Produto Interno Bruto (PIB), exportações e importações. Os efeitos sociais podem ser vistos na perda de poder de compra pela população, no aumento do desemprego e da pobreza.
Neste período de crise económica, o estado vem cortando nos gastos de saúde. Para além da redução no preço dos medicamentos e nos salários dos profissionais de saúde, tem existido também um menor investimento em programas de prevenção e saúde pública, o que causa preocupação. É certo que os cortes em programas de combate à obesidade ou ao tabagismo podem melhorar as contas públicas, mas é crível que estes eventuais benefícios de curto prazo sejam anulados pelos gastos mais avultados a longo prazo, não só na despesa do Estado, mas também na saúde dos cidadãos.


4.      É um facto que Portugal pode orgulhar-se do posicionamento relativo do seu Sistema de Saúde em termos internacionais, no entanto, hoje vivem-se realidades contraditórias.

O SNS é o sistema de saúde mais usado pelos portugueses, havendo boa perceção por parte da população, que reporta como maior receio para o futuro a perda de qualidade do SNS. Mas está a procurar-se levar a cabo medidas de racionalização das despesas e de contenção de custos na prestação de cuidados de saúde que podem por em causa esta situação.
Os indicadores que sucessivamente vão sendo conhecidos mostram um abaixamento significativo das consultas e de tratamentos providenciados devido às dificuldades económicas de muitas pessoas, conjugadas com o aumento dos custos dos serviços e das taxas moderadoras, com as consequências de um risco de "racionamentos implícito" nos serviços públicos de saúde que inibam a “prestação de cuidados de saúde necessários” ou a "existência de claros sinais relativos à diminuição da acessibilidade aos medicamentos por parte dos doentes, associada ao seu empobrecimento”.
Na prática deparamo-nos com menor investimento nos cuidados de saúde, menos recursos, menos profissionais, gerindo-se a saúde numa perspetiva demasiado empresarial, olhando apenas na dimensão métrica, de mercado, obliterando muitas das suas especificidades.


5.      Necessidade de intervenção discriminada no território para o objetivo de desenvolvimento regional.

Ao nível da sociedade em geral constatamos ser possível agir sobre a saúde incidindo em variáveis críticas e que têm impacto relevante sobre a perceção da saúde. Portugal parece também estar compartimentado, existindo assimetrias em termos de interior/litoral no que respeita ao acesso a cuidados de saúde. Constatamos assim a valorização dos determinantes da saúde, sendo crucial uma intervenção racional e territorial, não considerando apenas a dimensão métrica e financeira da saúde, mas também atendendo às especificidades dos determinantes sociais de saúde.
A política de encerramos de serviços de saúde tem ignorado as implicações na população e nos territórios. É necessário a constituição de um sistema cada vez mais eficiente, mas focado no serviço dos cidadãos, das famílias e das comunidades.


Assim, considerando que:
1.      Relatórios recentes mostram que a Justiça social em Portugal tem vindo a descer desde 2011, reportando dificuldade crescente de acesso aos cuidados de saúde.
2.      A saúde é atualmente entendida como um nível integral de conforto em termos físicos, mentais e de integração na sociedade, não se refletindo unicamente na não presença de qualquer tipo de doença, numa definição mais abrangente e direcionada para a qualidade de vida.
3.      A forma como uma crise socioeconómica afeta a saúde depende essencialmente da proteção social à partida e da qualidade das respostas.
4.      É um facto que Portugal pode orgulhar-se do posicionamento relativo do seu Sistema de Saúde em termos internacionais, no entanto, hoje vivem-se realidades contraditórias.
5.      Necessidade de intervenção discriminada no território para o objetivo de desenvolvimento regional.

Os subscritores da presente moção propõem:

1.      A definição de uma estratégia em relação à saúde para o Distrito de Vila Real que coloque os cidadãos em primeiro lugar, considerando os determinantes sociais de saúde

2.      Equidade de acesso aos cuidados de saúde a nível territorial evitando o encerramento das extensões de saúde, agravado pela falta de transportes públicos nas aldeias e vilas do interior do país.


quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Intervenção em Plenário e na Comissão de Saúde sobre Política Geral de saúde


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A crise económica e financeira, juntamente com as medidas de ajustamento aplicadas ao sector da saúde por este Governo, durante os últimos 3 anos, está a ter um impacto negativo no funcionamento do Serviço Nacional de Saúde e na vida dos portugueses.
Relatórios recentes mostram que a Justiça social em Portugal tem vindo a descer desde 2011, reportando dificuldade crescente de acesso aos cuidados de saúde.
Este governo descura a prevenção e a educação para a saúde.
Está na hora de o Governo tomar consciência do impacto negativo das medidas que aplicou no setor da saúde durante estes 3 anos e alterar o rumo, voltando a aplicar as boas práticas, reconhecidas internacionalmente e com bons resultados, implementadas pelo Partido Socialista.
É que resulta evidente que ao fim destes 3 anos os portugueses estão pior;
A saúde, no país, não está melhor.

Questões colocadas ao Ministro da Saúde sobre a saúde no Distrito de Vila Real:
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1. Foi aprovada uma resolução da Assembleia da República, de Abril de 2011, ainda no tempo do Governo do Partido Socialista, para a criação da Unidade Local de Saúde do alto Tâmega. Esta resolução, de 2011 em diante não teve cumprimento. Existem imensas queixas dos utentes dos serviços nesta região. O que pensa fazer em concreto em relação a este tema? Qual a estratégia em relação à saúde para o Distrito de Vila Real? Passados mais de 3 anos sobre esta resolução é urgente uma clarificação.

2. Alerta para o encerramento das extensões de saúde e a falta de transportes públicos nas aldeias e vilas do interior do país, o que limita dramaticamente o acesso aos cuidados de saúde nestes territórios. As pessoas são na prática obrigadas a pagar cerca de €10 de táxi e mais a taxa moderadora. É evidente que há uma diferença gritante na equidade de acesso aos cuidados de saúde a nível territorial.

sábado, 13 de setembro de 2014

Intervenção na Comissão de Assuntos Europeus: Audição do Secretário de Estado dos Assuntos Europeus, na sequência da realização do Conselho Europeu extraordinário de 30 de Agosto de 2014.


Principais Questões:
 - Qual a posição de Portugal relativamente à flexibilidade orçamental? (Se ao lado da nova corrente que privilegia a flexibilidade e o crescimento ou se permanece e insiste na política de austeridade)
- Novo comissário e estrutura da comissão (Comissário português longe da primeira linha na nova estrutura orgânica da comissão)
- Relações externas: Qual o impacto para Portugal e para as empresas portuguesas, das sanções aplicadas à Rússia.
- Outras questões como a situação humanitária no Iraque e na Síria na sequência da ocupação de partes dos seus territórios pelo "Estado Islâmico do Iraque e do Levante"



Intervenção na Comissão de Assuntos Europeus sobre a composição da nova Comissão Europeia e a pasta atribuída ao Comissário indicado por Portugal

O PS defendia uma indicação da área socialista, respeitando os resultados eleitorais Não podemos deixar de registar que Portugal se bateu por uma pasta mais ligada á área económica, como a do emprego e assuntos sociais, não conseguindo o seu objetivo. Atendendo ao perfil ideológico do Eng. Carlos Moedas e o seu alinhamento com a política de austeridade, talvez a pasta atribuída até seja preferível para Portugal. Esta é uma área totalmente nova para o novo comissário, não havendo nada que o qualifique especialmente para esta pasta A nova estrutura e organização funcional da forma de trabalhar da nova comissão também não beneficia a pasta atribuída a Portugal.

   

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Pergunta ao Governo sobre Risco de Pobreza entre Jovens

Os deputados jovens do Partido Socialista propõem um modelo de desenvolvimento económico focado na sustentabilidade. O governo continua a rejeitar progresso, investimento e futuro.

Os números revelados nos últimos dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) e do Eurostat revelam que cerca de 30% dos jovens portugueses estão em risco de pobreza. Um número preocupante para os deputados da Juventude Socialista na Assembleia da República, que interrogam o Governo sobre as medidas a tomar para combater este flagelo.
Ivo OliveiraPedro Delgado AlvesRui Duarte e Jorge Pereira defendem uma estratégia para a juventude que implique o combate à precariedade, a criação de postos de trabalho e a prossecução de uma política económica que promova o desenvolvimento sustentável.
O secretário-geral da Juventude Socialista, João Torres, explica que estas estatísticas comprovam os efeitos dramáticos das políticas austeritárias seguidas pela coligação PSD/CDS. «É necessário um novo compromisso social em Portugal que defina o emprego jovem como uma prioridade colectiva», defende Torres. O líder dos jovens socialistas acrescenta ainda que estão postas em causa as condições de vida futuras para a generalidade dos jovens portugueses, visto «o crescente desinvestimento na Educação e no Ensino Superior» preconizado pelo actual Executivo.
Entre os indivíduos com 15 a 34 anos que não se encontram a estudar, 31,3% estão desempregados, revelou o Eurostat. A comparação com a média europeia dá-nos a entender a dimensão do problema: Na Europa a 28, este número reduz para 20,4%. A JS tem vindo a denunciar o impacto das políticas do Governo junto dos jovens, exigindo a criação de uma verdadeira Garantia Jovem que promova a emancipação das mais novas gerações. Em Julho, a organização de juventude realizou o Roteiro do Trabalho e da Precariedade.

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Assunto:
Destinatário:
Ex. ma Sr.ª Presidente da Assembleia da República
Portugal atravessa, no presente, o maior período de recessão desde a Grande Depressão da década de 1930. O motivo principal encontra-se na grave crise internacional, desencadeada pela bolha especulativa no setor imobiliário, nos Estados Unidos da América (EUA) e que se estendeu posteriormente à crise das dívidas soberanas. O nosso país é particularmente afetado devido à sua pequena dimensão, geográfica e económica, e à realidade de estar fortemente integrado na economia mundial. Acrescem ainda os problemas estruturais da economia portuguesa, no contexto do Euro.
Uma crise desta dimensão reflete-se ao nível macroeconómico, no comportamento de vários indicadores, como o Produto Interno Bruto (PIB), exportações e importações. Os efeitos sociais podem ser vistos na perda de poder de compra pela população, no aumento do desemprego e da pobreza.
Segundo o INE, em 2014, e o EUROSTAT, já em 2012, a sociedade portuguesa está mais pobre. 10,9% dos portugueses vive em privação material severae um quarto da população encontra-se em risco de pobreza ou de exclusão social. Nesta categoria incluem-se as pessoas que se encontrem em pelo menos uma de três situações: pessoas em risco de pobreza, pessoas em situação de privação material grave e pessoas que vivam em agregados familiares com muito fraca intensidade de trabalho. Em Portugal, o valor mais elevado encontra-se na categoria de pessoas em risco de pobreza (17,9%), ou seja, aquelas que vivem num agregado familiar que disponha de um rendimento anual líquido inferior a 60% do rendimento mediano (por adulto equivalente) no país, após pagamentos de contribuições sociais. Os segmentos mais atingidos são as famílias com crianças a cargo, desempregados e menores de 18 anos.
Segundo os recentes dados do EUROSTAT, cerca de 30% dos jovens portugueses entre os 20 e os 24 anos estão em risco de pobreza. Uma outra estatística do Eurostat, publicada no mesmo momento, indica que, em Portugal, 31,3% dos jovens entre os 15 e os 34 anos, que não estão a estudar, estão desempregados. A média da UE está nos 20,4%.
Ainda recentemente, o Dia Internacional da Juventude, 12 de Agosto, foi a data escolhida pelo INE para divulgar a informação sobre a evolução da população jovem na última década. Assim, constata-se que o seu número diminuiu em quase meio milhão, que o desemprego jovem dobra a média nacional e que os salários minguaram. Aumentaram os que residem em casa dos pais e muitos emigraram. Paralelamente, dominam a informática, a internet e conhecem pelo menos uma língua estrangeira. As qualificações melhoraram. A conclusão é óbvia: os jovens têm imensa dificuldade em aplicar os seus conhecimentos e habilitações, por falta de oportunidades e empregos.
Esta situação configura um desperdício de recursos não só para os mais novos, mas também para a globalidade da economia, que não realiza todo o seu potencial. É urgente uma estratégia para a juventude que implique políticas económicas e de mercado de trabalho com o objetivo de criar emprego, reduzir a precariedade e promover um desenvolvimento sustentável. Importa realizar um debate mais aprofundado sobre a matéria e recolher elementos sobre o sucesso das políticas públicas nacionais e europeias para dar resposta ao problema. 
Assim, os Deputados do Grupo Parlamentar do Partido Socialista abaixo assinados, nos termos legais e constitucionais aplicáveis, perguntam ao governo, através do Ministro da Solidariedade, Emprego e Segurança Social, o seguinte:
1. Está o Governo consciente do dramático agravemento das condições de vida dos Jovens Portugueses nos últimos 2 anos?
2. Qual o impacto das políticas públicas mapeadas no Livro Branco da Juventude e do Plano Nacional de Implementação de uma Garantia Jovem (PNI-GJ) para a redução da pobreza e exclusão social?
3. Quantas vezes reuniu a Comissão de Coordenação e Acompanhamento do PNI-GJ desde a aprovação do plano? Os dados relativos à pobreza e exclusão social foram já objeto de análise?
Está prevista a convocação de uma reunião daquele órgão para analisar os dados da pobreza e exclusão social entre os jovens agora divulgados?
Que medidas adicionais vai o Governo adoptar para combater a pobreza e a exclusão social neste segmento específico, atentos os dados agora conhecidos nos domínios que se seguem:
 - A nível de política de intervenção social
 - A nível de política econónima
 - A nível de política de emprego e mercado de trabalho?
 - Qual o impacto estimado na riqueza nacional, se a presente geração da população constituísse uma força de trabalho empregada e a contribuir para as receitas do Estado?
Palácio de São Bento, quinta-feira, 4 de Setembro de 2014
Deputado(a)s
IVO OLIVEIRA(PS)
PEDRO DELGADO ALVES(PS)
RUI PEDRO DUARTE(PS)

JORGE RODRIGUES PEREIRA(PS)

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Prioridade ao emprego para um Portugal mais jovem

Os jovens portugueses estão preparados, mas faltam oportunidades. A prioridade do país para o próximo quadro comunitário de apoio deve ser a construção de um Portugal mais novo e com futuro. Há que privilegiar mais a economia real e o emprego do que bancos novos, sejam eles bons ou maus.
 Diário de Notícias
O dia internacional da juventude foi a data escolhida pelo INE para divulgar a informação sobre a evolução da população jovem na última década. Assim, o seu número diminuiu em quase meio milhão, o desemprego dobra a média nacional e os salários minguaram. Aumentaram os que residem em casa dos pais e muitos emigraram. Paralelamente, dominam a informática, a internet e conhecem pelo menos uma língua estrangeira. As qualificações melhoraram.
O corolário é óbvio: os jovens têm imensa dificuldade em aplicar os seus conhecimentos e habilitações, por falta de oportunidades e empregos.
Esta situação configura um desperdício de recursos não só para os mais novos, mas também para a globalidade da economia, que não realiza todo o seu potencial. Podemos questionar sobre o incremento na riqueza nacional, se esta geração constituísse uma força de trabalho ao serviço da nação?
As entidades europeias e nacionais parecem cientes do problema. Contudo as respostas têm sido débeis, geralmente através de estágios e formação profissional.
Só nesta legislatura surgiram o “plano estratégico de iniciativas de promoção da empregabilidade jovem e de apoio às PME”, o “impulso jovem” e o “passaporte emprego”. Nada vingou. Seguiu-se a “Garantia Jovem”, com medidas de índole semelhante que, sem espanto, terá resultado igual no final do dia, com a agravante da redução do tempo dos estágios-emprego em 25%. Mais recentemente aparece a ideia da reforma em part-time, inspirada no contrato geracional de François Hollande, visando combater simultaneamente o desemprego jovem e o de longa duração. A medida é de execução e controlo tão complicado que, tal como em França, também não se lhe augura grandes resultados por cá.
Keep it simple. Os jovens precisam de um programa bem estruturado, robusto e devidamente financiado. Exigem ser considerados uma verdadeira prioridade nacional.
Vem aí uma nova vaga de fundos comunitários. Parece haver consenso quanto à sua aplicação no território, priorizando o interior do país. Seria conveniente a assunção, igualmente, de uma dimensão geracional dando máxima prioridade à juventude, destinando-se-lhe uma boa percentagem da verba. Porque não 25% dos 20 mil milhões de euros? – valor equivalente ao destinado ao  “Novo Banco”.
É o emprego o fator fundamental que determina a fixação de jovens, a localização das famílias ou a decisão de ter filhos. Assim, utilizem-se os fundos disponíveis em organizações, públicas ou privadas, que de forma real e definitiva, sem precariedade, condições restritivas de contrapartida ou part-time, empreguem os jovens do nosso país. Assuma-se a entrada obrigatória no mercado laboral de um jovem por cada cidadão reformado.

O relatório do Eurostat sobre o “envelhecimento activo e a solidariedade entre gerações” alerta para a potencial disputa geracional pela partilha de recursos. O conflito deve ser evitado. Mas tem que haver uma prioridade de disponibilização de recursos que contribuam para a construção de um Portugal mais novo e com futuro. Mais do que para um novo banco.

Artigo Publicado no Diário de Notícias, dia 24 de Agosto de 2014

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Uma marca global para promoção internacional

São numerosas as festas e romarias que se realizam na nossa região durante os meses de Verão. Particularmente neste mês de Agosto, existem localidades que mais do que triplicam a população devido aos milhares de emigrantes que regressam a Portugal. As festividades religiosas são complementadas com uma rica e variada oferta cultural que vai desde os concertos musicais às peças de teatro, passando pelas exposições, entre muitas outras atividades.
O Distrito também tem apostado em manter-se no calendário de importantes eventos desportivos como a Volta a Portugal em Bicicleta, assim como numa panóplia de outras atividades e eventos que, no seu conjunto, tornam o presente mês o mais animado do ano e um dos mais importantes em termos económicos.
Existem igualmente diversas feiras organizadas pelos vários municípios como forma de promover e comercializar as suas terras e produtos. A título de exemplo, e porque tiveram honras de abertura na passada semana, temos o linho em Ribeira de Pena, o granito em Vila Pouca de Aguiar ou os produtos da terra em Mondim de Basto.
É através destes acontecimentos, sejam de grande dimensão ou apenas de animação local, que os concelhos procuram alargar e diversificar o mercado turístico, criar dinâmicas económicas sustentáveis e projetar uma imagem atrativa e competitiva. Mas talvez seja possível e desejável que todas estas iniciativas funcionem de forma mais articulada.
Com a globalização e a crescente mobilidade, os lugares deixaram de estar isolados para passarem a ser territórios relacionados entre si, o que implica novas formas de interação e novas abordagens mais complexas e diversificadas. Assim, poderá ser útil incrementar a já existente rede de parcerias que permite valorizar o património, os recursos de atração e os seus produtos endógenos. Numa visão de marketing territorial, as localidades devem apostar numa atitude empresarial, apresentando-se como uma marca única, de modo a que possibilitem uma identidade distintiva com o intuito da internacionalização.
Aproveitando a evolução das tecnologias de comunicação e de informação, talvez faça sentido o desenvolvimento de uma marca impactante do ponto de vista visual, promovida por meio de uma grande campanha publicitária que comunique de forma clara, simples e coerente o produto-território. Deve fazê-lo através de uma estratégia global tendo em conta fatores como a reputação e a imagem transmitida do lugar, a hospitalidade dos residentes, as infraestruturas relacionadas com a qualidade de vida ou mesmo o estilo de vida. Como exemplos, podemos referir o Porto, que apostou na criação de uma marca internacional: “Oportonity City” (numa mensagem que pretende realçar as caraterísticas únicas da cidade, como as suas gentes, hospitalidade, versatilidade e vitalidade), “Iamsterdam” ou Copenhagen”. Ou pela negativa o Allgarve, depois transformado em "Algarve com eventos", perdendo o All inglês e talvez a dimensão universal.

Num mundo altamente competitivo, os destinos turísticos procuram formas de se distinguir dos seus demais concorrentes, apoiando-se em novos produtos turísticos e elementos diferenciadores. Seria importante que a região considerasse a possibilidade de criação de uma marca global para promoção internacional. 


As corridas no Norte

Numa altura em que os municípios pretendem internacionalizar as suas provas de automobilismo e inscrever definitivamente estes eventos num calendário mundial, é com preocupação que vemos o Turismo de Portugal retirar o patrocínio de um milhão de euros ao Rally de Portugal, quando este regressa ao norte do país.
A região Norte tem registado um recorde de turistas. A importância do turismo na economia tem-se revelado crescente, constituindo-se como um dos motores do desenvolvimento social, económico e ambiental. Os recentes números do INE sobre o sector confirmam as perspetivas mais animadoras. Os primeiros meses de 2014 registaram um crescimento de 11,1% de turistas estrangeiros e 12,4% de nacionais em relação ao mesmo período do ano anterior. O número de passageiros que aterraram no Aeroporto Francisco Sá Carneiro tem assinalado um crescimento médio de 10% ao ano. A disponibilidade de camas também vem aumentando a um ritmo ainda mais acelerado (perto de 30% ao ano).
O maior desafio para o sector, no presente, é aumentar o valor dos gastos dos visitantes e fazer com que tenham estadias mais prolongadas na região. Para isso é necessária uma aposta nos serviços complementares, que induzam o aumento do tempo de permanência média neste território. Neste sentido, a disponibilização de um calendário de eventos de projeção internacional é importante para reforçar as motivações e promover a fidelização do turista. Esta realidade pode ser observada em destinos concorrentes de Portugal, onde existe um grande esforço na criação de acontecimentos regulares.
Na nossa região, vários municípios têm apostado no automobilismo como um eixo desta estratégia de marketing das áreas-destino. Montalegre é já uma referência no rallycross, Vila Real retomou o circuito com pretensões de internacionalização e Murça a sua rampa. Outros municípios como Sabrosa ou Mesão Frio também têm realizado as suas provas.
O impacto económico parece evidente. Não há ainda resultados dos estudos realizados para os maiores eventos como as corridas de Vila Real, mas a simples observação leva a crer que tenha sido um êxito também na vertente de negócio. É necessário que se continuem a realizar periodicamente, pois só assim será possível assumirem-se como uma atividade chave na atração de turistas.
Voltando ao Rally de Portugal, a justificação apresentada para o retirar do apoio foi a alteração de estratégia no que toca à promoção turística, optando a entidade governativa por um reforço do trabalho de cooperação direta com as empresas na abordagem a novos mercados e na comercialização dos seus produtos.

Assim, fica a questão sobre que motivos levaram o Governo a modificar a atual estratégia de promoção que tem apresentado bons resultados. E instala-se a preocupação, uma vez que a aposta regional no automobilismo terá que ser apoiada e muito bem articulada entre os agentes locais e nacionais, não só ao nível da realização e execução das provas, mas também na sua promoção, divulgação e financiamento.


Natalidade e Emprego

As propostas recentemente apresentadas para delinear um plano de incentivos à natalidade em Portugal são numerosas e pertinentes na sua maioria. Contudo não incidem sobre o principal determinante da existência de uma baixa taxa de nascimentos: o emprego. Mais grave se torna quando, na prática, o governo rema em sentido contrário. Ainda recentemente congelou os estágios profissionais. E reduziu de 12 para 9 meses a sua duração. Com estas iniciativas ficamos mais longe do objetivo.
Antes de mais, colocar a natalidade como uma prioridade é de saudar. Portugal tem atualmente uma das mais baixas taxas de nascimentos de crianças da Europa. Esta condição tender-se-á a agravar devido à emigração em massa de jovens. O impacto desta situação na economia do país e sustentabilidade dos sistemas de proteção social é substancial.
Assim, foram apresentadas um conjunto de medidas, em vários domínios: incentivos fiscais no IRS, IMI ou na TSU, caso as empresas contratem grávidas e mães ou pais com filhos até aos três anos de idade; medidas na área da educação, como a flexibilização dos horários e a revisão dos custos das creches ou a diminuição das despesas com manuais escolares; no campo da saúde, através da atribuição obrigatória de médico de família a todas as mulheres grávidas; na relação trabalho-família, através do alargamento da licença de maternidade em mais um ano, na possibilidade de trabalho em part-time para mães e pais, entre outros exemplos de um rol bem mais extenso de propostas.
Trata-se de pequenos passos no rumo certo. Cada medida tem o seu mérito individual. Poderíamos juntar ainda muitas mais, como por exemplo: os incentivos financeiros diretos por nascimento, que alguns municípios realizam; propostas para inverter a tendência de dificuldade no acesso aos cuidados de saúde; determinações para o fim do encerramento de serviços públicos de proximidade, como escolas ou centros de saúde.
No entanto, para aumentar a natalidade é principalmente necessário apresentar medidas de criação de emprego e combate à precariedade laboral. É este o fator fundamental que determina não só a localização das famílias, como a decisão de ter mais filhos.
E nesses domínios nada foi apresentado em concreto. Na realidade foram tomadas medidas em sentido contrário. Simultaneamente à apresentação de uma agenda nacional para a natalidade aparece uma contramedida de redução do tempo dos Estágios-Emprego em 25%, diminuindo a possibilidade de integração dos jovens no mercado de trabalho e levando à desproteção do estagiário, por não cumprir com o prazo de garantia para ter acesso à proteção no desemprego que é de 12 meses de descontos para segurança social. Obviamente, não são os três meses de estágio que vão resolver este grave problema. Mas o rumo tem que ser claro. A resposta à natalidade tem que ser integrada e incidir sem tibiezas nos vectores da criação de emprego e de combate à precariedade laboral.
O desemprego que afecta as pessoas em idade jovem, a precariedade e a incerteza em relação não só ao trabalho mas também ao futuro condiciona fortemente o projeto de ter filhos.





Levar a carta a Garcia

No passado fim de semana foi assinada a Carta de Compromissos para o Desenvolvimento de Trás-os-Montes e Alto Douro. “Uma região de oportunidades” é o título da missiva. Este documento, que visa alertar para o declínio da região nas mais diversas vertentes e unir esforços e vontades para o contrariar, foi escrito em primeira mão pela Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro e devidamente rubricado pelos restantes parceiros: os Institutos Politécnicos de Bragança e Viseu, as Comunidades Intermunicipais do Alto Tâmega, Douro e Terras de Trás-os-Montes e as associações empresariais (ACISAT, NERVIR e NERBA).
No que respeita ao seu conteúdo, esta inicia com um rigorosa avaliação da realidade. De seguida destaca os desafios do novo quadro comunitário. Parte depois para a construção de uma visão para o território, onde expressa um programa integrado e transversal de desenvolvimento. Por fim, “as instituições signatárias comprometem-se a unir esforços para combater o declínio do interior norte e a desenvolver um trabalho articulado, colaborativo e continuado de promoção do desenvolvimento territorial sustentável”.
Foi um bom momento para a Região. Demonstrou união, coesão e vontade de superar as dificuldades com que se confronta no presente. A Academia e as restantes instituições regionais deram um importante sinal de alerta. Fizeram bem o seu trabalho.
Importa agora dar o passo seguinte. Fazer uma entrega efetiva da carta. Garantir que tem consequências positivas para a região e execução concreta no território. Passar das palavras aos atos, ou em linguagem popular: “Levar a carta a Garcia”: cumprir eficazmente uma missão, por mais difícil ou impossível que possa parecer. A origem desta lendária expressão, que aqui serve apenas como imagem, encontra-se ligada à guerra entre os Estados Unidos e a Espanha, nos finais do século XIX. Mackinley, o Presidente Americano, chamou um tal Rowan e passou-lhe uma carta, dizendo que ela deveria ser entregue, em Cuba, a Garcia, o comandante rebelde. Pelo que se conta, Rowan, sem nada perguntar, meteu a missiva numa bolsa impermeável e partiu para Cuba. Percorreu montes e vales, selvas e praias, mas, quatro dias depois, entregou a carta a Garcia e regressou aos Estados Unidos.
A bola está agora do lado dos agentes políticos. Cabe-lhes apresentar soluções concretas. Ao convidarem o Primeiro-ministro para a sessão solene de assinatura do documento, os signatários deram um importante sinal, requerendo o seu real envolvimento neste processo. Presente no evento, Pedro Passos Coelho assumiu “o comprometimento do Estado, de poder ser um parceiro deste compromisso estabelecido entre todas estas partes essenciais ao desenvolvimento", destacando o pioneirismo da iniciativa.
Assim, perante tal posição, compete-nos perguntar que medidas exprimem, no concreto, o acordo que assumiu em Vila Real? Como vai o Governo cumprir e honrar a tempo e horas os compromissos e tarefas aceites? Que medidas concretas vão ser implementadas?
Ficam as questões. Devem ser respondidas rapidamente. Senão será apenas mais uma carta de intenções que as férias de Verão se encarregarão de fazer esquecer.
Este Governo tem sido excessivamente centralista e a nossa região tem-se ressentido dessa situação. Talvez possa agora corrigir o rumo. Mas para isso, mais do que intenções são necessárias medidas palpáveis.