Portugal
tem atualmente uma das mais baixas taxas de nascimentos de crianças da Europa. No interior do país a situação é mais grave,
resultando num elevado envelhecimento demográfico.
O
problema não é recente. É uma realidade que as funções muito especializadas
centram-se no litoral, consequência entre outros aspetos da ideia de
progresso surgida na segunda metade do século XX que associava a passagem do
mundo rural ao urbano. Nesta perspetiva de modernização, amplas regiões do país
acabam por esvaziar, originando um declínio da
fecundidade. Esta condição agravou-se recentemente devido à emigração em
massa de jovens.
Para
contrariar esta tendência, e combater o despovoamento, a prioridade tem que
estar no emprego. É este o fator fundamental que determina a fixação de jovens,
a localização das famílias ou a decisão de ter filhos. Assim é urgente parar
com as determinações para o encerramento de serviços públicos na região como
escolas, centros de saúde, tribunais ou serviços de finanças. Devem também apoiar-se
os Municípios que dão incentivos financeiros diretos por nascimento. E cabe ao
governo também a responsabilidade de melhorar a qualidade de vida e as
condições de igualdade de oportunidades no território, melhorando o acesso aos cuidados de saúde e
acabando com as persistentes situações de falta de profissionais de saúde, por
exemplo.
Deve também proceder-se a uma
política de industrialização do interior capaz de aproveitar o conhecimento
gerado pela rede de universidades e politécnicos, criando incentivos para a
relocalização de empresas nestas áreas, empregando os jovens qualificados que
saem destas instituições. O próximo quadro comunitário de apoio devia responder
a este desígnio nacional.
De forma confrangedora, o Governo tem agido em sentido
contrário. A leviandade com que fechou serviços ou instituições na nossa região,
ignorando os efeitos devastadores na política de fixação de população, deve
merecer elevada censura. Lembramo-nos bem das
palavras proferidas por Pedro Passos Coelho ainda no Verão, quando justificava
o encerramento de serviços públicos no interior por serem “caros”
e “ineficientes” .
Sem
a permanência da população mais jovem no território fica comprometida a
natalidade e tende a acentuar-se o já elevado envelhecimento da população.
