sábado, 4 de abril de 2015

Entrevista ao Jornal A Voz de Trás-os-Montes - “António Costa é um homem que traz um capital de esperança à política portuguesa”

“Frente a Frente” na Assembleia da República
Márcia Fernandes

l Ivo Dinis de Oliveira nasceu em 1981, na cidade de Vila Real. É doutora­do em Gestão e professor universitário. O gosto pela política surge aos 20 anos, quando entrou para a Juven­tude Socialista (JS), incen­tivado por um grupo de amigos. Sempre se identi­ficou com os ideais socia­listas, como as questões da igualdade, o facto de ser um partido mais humanis­ta, que defende uma distri­buição mais justa de rendi­mentos. Fez o seu percurso dentro da Juventude Socia­lista, foi presidente da distri­tal e membro da Comissão Nacional. Chegou a deputa­do em julho de 2014, altura em que foi substituir Pedro Silva Pereira, que entretan­to seguiu para o Parlamento Europeu.
Não é deputado em regime de exclusividade, porque quis manter a ligação ao mundo real e à vida das pessoas. Dá aulas na Universida­de do Minho, onde não é remunerado, e também no ISLA, onde já aufere um salário porque é uma insti­tuição de ensino priva­da. “A minha vida é muito ativa, com alguns sacrifícios pessoais, pois não é fácil conciliar as duas profissões, mas gosto do contacto com as pessoas, que nos fazem chegar as suas preocupações, e nós apresentamos propos­tas para tentar solucionar os seus problemas”. Pertence às comissões Parlamenta­res de Saúde, de Assuntos Europeus e de Orçamento Finanças e Administração Pública. Neste seu curto mandato tem como priori­dades a procura de soluções para os principais problemas do país, em que tem espe­cial atenção às regiões mais desfavorecidas do interior de Portugal. E como integrou a lista do PS nas últimas legis­lativas como representante da Juventude, tem tentado dar voz aos problemas dos jovens confrontados com o “flagelo do desemprego e enorme precariedade labo­ral, que tem levado a uma nova vaga de emigração”.
Sobre a elevada absten­ção que se tem verificado nas diversas eleições, sobre­tudo entre os mais jovens, o deputado vila-realense acredita que a Regionali­zação poderia resolver este problema, uma vez que “os eleitores poderiam escolher diretamente os seus repre­sentantes”. “Sempre a acre­ditamos que deputados e eleitores devem estar próxi­mos e seria muito importan­te que os jovens estivessem mais próximos dos políti­cos. Recentemente saiu um estudo que indica que 72 por cento dos jovens ‘Erasmus’ não acredita nos políticos europeus. Cabe ao poder político contrariar essa situa­ção, acho que a Regionaliza­ção poderia funcionar como um bom meio para solucio­nar o problema e também os próprios eleitores escolhe­rem o seu deputado. Aliás, o PS tem estado aberto a esse tipo de iniciativas, como as primárias para a escolha do secretário-geral. As pessoas têm de se sentir representa­das e, sobretudo, têm que sentir que os seus problemas têm voz”.
Apesar de serem eleitos para representar o país, Ivo Oliveira não esquece a região que o elegeu e os problemas do interior estarão sempre na sua linha de pensamento. “Trás-os-Montes tem muitos problemas, mas sobretudo na saúde, com a falta de médi­cos, e por isso tem de mere­cer outra atenção. Estive em Salto (Montalegre), onde um médico ficou de baixa e a partir daí as pessoas ficaram privadas de aceder a cuida­dos de saúde mais próximos da sua localidade. O mesmo aconteceu em Boticas, em Tourém e um pouco por toda a região transmontana”.
Ivo Oliveira considera que a atual geração de políticos é melhor que a anterior e dá como exemplo a Presidência da República. “Se tivéssemos um presidente de uma gera­ção mais jovem, estaríamos muito melhor servidos. As gerações têm-se aprimora­do, os jovens são cada vez mais qualificados, conhe­cem melhor o mundo, mas é preciso que haja espaço para estas gerações, pois se nós condenamos uma geração a emigrar e ao desemprego, é natural que venhamos a ter problemas nas nossas elites políticas e empresariais. Há necessidade de fazer algumas mudanças”.
Sobre a relação com os outros deputados eleitos pelo mesmo círculo eleitoral, o professor diz que é um rela­cionamento aberto e cordial, no entanto há áreas centrais que os separam, sobretudo na agricultura e na saúde. “Em algumas questões da região até estamos em sintonia, mas nem sempre. Quando defendemos os produtores da castanha em Valpaços, que sofreram uma quebra drástica na produ­ção, vi com tristeza o PSD a votar contra esse projeto. No entanto, há outras maté­rias que temos trabalhado em conjunto, como a questão do Barro Preto de Bisalhães”.
Entre os outros deputados da Assembleia da República, o convívio também é cordial, mas ao mesmo tempo é um ambiente de combate políti­co. “Não estamos de acordo em diversos assuntos e por vezes as discussões aquecem e deixam um certo mau estar. Apesar de ser um ambien­te duro de combate políti­co entre bancadas, há que perceber a função do outro”.
Ainda novo nestas andan­ças, Ivo tem a certeza que é mais fácil ser deputado de apoio a uma maioria de governo do que se estiver na oposição. “Estar na oposição é bastante mais frustrante, uma vez que apresentamos as nossas propostas, que até são boas, mas depois estão condenadas ao insucesso, já que a maioria veta sempre essas iniciativas. Quando se é deputado de uma maioria sólida e de governo, temos a possibilidade de fazer coisas e de ter maior capacidade de realização”.
Sobre o futuro do país e de Trás-os-Montes em espe­cial, o jovem transmonta­no gostaria de voltar a ser eleito deputado e espera que o seu partido vença as próximas eleições com maio­ria absoluta. Se isso não acontecer, refere que o PS terá de encontrar soluções à sua esquerda. “Teremos de governar sem Bloco Central, porque essa não é a verdadei­ra alternativa. O caminho do PS terá de ser radical­mente diferente do que tem sido seguido por esta maio­ria. Tem de demostrar que é uma alternativa, que está centrada nas pessoas e no desenvolvimento do país”.

Ivo Oliveira deixa rasga­dos elogios ao secretário­-geral do partido, António Costa, porque acredita que é a pessoa certa para lide­rar uma verdadeira mudança no país. “É um homem que traz um capital de esperan­ça à política portuguesa, as pessoas reconhecem o bom trabalho que tem feito na Câmara de Lisboa, a sua credibilidade, seriedade e capacidade de fazer dife­rente. No entanto, é preciso ter um projeto de mudança em que as pessoas acredi­tem que será o melhor para elas e para o país. Só assim será possível alcançar uma maioria sólida e que trará um futuro melhor aos portu­gueses”. 

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