A
revolução dos cravos marcou o início de uma nova era para Portugal. Abriram-se
as portas para uma drástica mudança económica, social e cultural. Pela ação
determinada dos Capitães de Abril foi possível uma Revolução capaz de efetuar
um corte com um passado de opressão, isolamento internacional e terminar com a Guerra
Colonial. Surgiu assim a Liberdade, o Estado de Direito Democrático e o
desígnio nacional de “Descolonizar, Democratizar e Desenvolver”.
Na
atualidade, num contexto europeu, globalizado, e retirando do passado as lições
que a História nos deu, sente-se novamente o ímpeto de mudança. Salvaguardando
as devidas proporções, os três “D” podem ser revisitados: precisamos de repatriar
a juventude; de aprofundar e melhorar a democracia; de construir um país mais
desenvolvido onde todas as pessoas vivam melhor.
Trazer
os jovens para casa implica responder aos anseios de uma geração confrontada com
uma gigantesca taxa de desemprego (35%), com pobreza e delinquência acima da
média. Garantir emprego e estabilidade, que permita a construção de um projeto
de vida e o aumento da natalidade, tem que ser o objetivo número um do próximo Governo.
O voto tem que voltar a ser a “arma
do povo”, ser percecionado como útil e capaz de provocar mudanças visíveis. Uma
democracia mais próxima dos cidadãos e em que as pessoas se sintam
representadas implica medidas como os círculos uninominais, as eleições
primárias ou a regionalização.
Continuar o processo de desenvolvimento obriga a aprofundar
as conquistas de Abril, como o Serviço Nacional de Saúde. Neste caso, devemos
sancionar o atual Governo, porque prosseguiu com as prioridades trocadas:
primeiro os cortes, depois as pessoas. Com a sua ação deixou de garantir o
acesso geral, universal e gratuito aos cuidados de saúde.
Cumprir Abril é aprofundar as
conquistas civilizacionais e não deixar ninguém para trás.
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