sexta-feira, 20 de março de 2015

Prioridade ao Emprego - Como potenciar o aumento da natalidade no interior

Portugal tem atualmente uma das mais baixas taxas de nascimentos de crianças da Europa. No interior do país a situação é mais grave, resultando num elevado envelhecimento demográfico.
O problema não é recente. É uma realidade que as funções muito especializadas centram-se no litoral, consequência entre outros aspetos da ideia de progresso surgida na segunda metade do século XX que associava a passagem do mundo rural ao urbano. Nesta perspetiva de modernização, amplas regiões do país acabam por esvaziar, originando um declínio da fecundidade. Esta condição agravou-se recentemente devido à emigração em massa de jovens.
Para contrariar esta tendência, e combater o despovoamento, a prioridade tem que estar no emprego. É este o fator fundamental que determina a fixação de jovens, a localização das famílias ou a decisão de ter filhos. Assim é urgente parar com as determinações para o encerramento de serviços públicos na região como escolas, centros de saúde, tribunais ou serviços de finanças. Devem também apoiar-se os Municípios que dão incentivos financeiros diretos por nascimento. E cabe ao governo também a responsabilidade de melhorar a qualidade de vida e as condições de igualdade de oportunidades no território, melhorando o acesso aos cuidados de saúde e acabando com as persistentes situações de falta de profissionais de saúde, por exemplo.
            Deve também proceder-se a uma política de industrialização do interior capaz de aproveitar o conhecimento gerado pela rede de universidades e politécnicos, criando incentivos para a relocalização de empresas nestas áreas, empregando os jovens qualificados que saem destas instituições. O próximo quadro comunitário de apoio devia responder a este desígnio nacional.
De forma confrangedora, o Governo tem agido em sentido contrário. A leviandade com que fechou serviços ou instituições na nossa região, ignorando os efeitos devastadores na política de fixação de população, deve merecer elevada censura. Lembramo-nos bem das palavras proferidas por Pedro Passos Coelho ainda no Verão, quando justificava o encerramento de serviços públicos no interior por serem “caros” e  “ineficientes” .

Sem a permanência da população mais jovem no território fica comprometida a natalidade e tende a acentuar-se o já elevado envelhecimento da população.

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