No passado fim de semana foi assinada a Carta de
Compromissos para o Desenvolvimento de Trás-os-Montes e Alto Douro. “Uma região
de oportunidades” é o título da missiva. Este documento, que visa alertar para o
declínio da região nas mais diversas vertentes e unir esforços e vontades para
o contrariar, foi escrito em primeira mão pela Universidade de
Trás-os-Montes e Alto Douro e devidamente rubricado pelos restantes parceiros: os Institutos Politécnicos
de Bragança e Viseu, as Comunidades Intermunicipais do Alto Tâmega, Douro e
Terras de Trás-os-Montes e as associações empresariais (ACISAT, NERVIR e NERBA).
No que respeita ao seu conteúdo, esta inicia com um
rigorosa avaliação da realidade. De seguida destaca os desafios do novo quadro comunitário.
Parte depois para a construção de uma visão para o território, onde expressa um
programa integrado e transversal de desenvolvimento. Por fim, “as instituições signatárias
comprometem-se a unir esforços para combater o declínio do interior norte e a
desenvolver um trabalho articulado, colaborativo e continuado de promoção do
desenvolvimento territorial sustentável”.
Foi um bom momento para a Região. Demonstrou união,
coesão e vontade de superar as dificuldades com que se confronta no presente. A Academia e as restantes
instituições regionais deram um importante sinal de alerta. Fizeram bem o seu
trabalho.
Importa
agora dar o passo seguinte. Fazer uma entrega efetiva da carta. Garantir que
tem consequências positivas para a
região e execução concreta no território. Passar das palavras aos atos,
ou em linguagem popular: “Levar a carta a Garcia”: cumprir eficazmente uma
missão, por mais difícil ou impossível que possa parecer. A origem desta lendária expressão, que aqui
serve apenas como imagem, encontra-se ligada à guerra entre os Estados Unidos e
a Espanha, nos finais do século XIX. Mackinley, o Presidente Americano, chamou
um tal Rowan e passou-lhe uma carta, dizendo que ela deveria ser entregue, em
Cuba, a Garcia, o comandante rebelde. Pelo que se conta, Rowan, sem nada
perguntar, meteu a missiva numa bolsa impermeável e partiu para Cuba. Percorreu
montes e vales, selvas e praias, mas, quatro dias depois, entregou a carta a
Garcia e regressou aos Estados Unidos.
A bola
está agora do lado dos agentes políticos. Cabe-lhes apresentar soluções
concretas. Ao convidarem o Primeiro-ministro
para a sessão solene de assinatura do documento, os signatários deram um
importante sinal, requerendo o seu real envolvimento neste processo. Presente no evento, Pedro Passos Coelho assumiu “o comprometimento
do Estado, de poder ser um parceiro deste compromisso estabelecido entre todas
estas partes essenciais ao desenvolvimento", destacando o pioneirismo da
iniciativa.
Assim, perante tal posição, compete-nos perguntar que
medidas exprimem, no concreto, o acordo que assumiu em Vila Real? Como vai o
Governo cumprir e honrar a tempo e horas os compromissos e tarefas aceites? Que medidas concretas vão ser
implementadas?
Ficam
as questões. Devem ser respondidas rapidamente. Senão será apenas mais uma
carta de intenções que as férias de Verão se encarregarão de fazer esquecer.
Este
Governo tem sido excessivamente centralista e a nossa região tem-se ressentido
dessa situação. Talvez possa agora corrigir o rumo. Mas para isso, mais do que
intenções são necessárias medidas palpáveis.

Sem comentários:
Enviar um comentário