Numa
altura em que os municípios pretendem internacionalizar as suas provas de
automobilismo e inscrever definitivamente estes eventos num calendário mundial,
é com preocupação que vemos o Turismo de Portugal retirar o patrocínio de um
milhão de euros ao Rally de Portugal, quando este regressa ao norte do país.
A
região Norte tem registado um recorde de turistas. A importância do turismo na
economia tem-se revelado crescente, constituindo-se como um dos motores do
desenvolvimento social, económico e ambiental. Os recentes números do INE sobre
o sector confirmam as perspetivas mais animadoras. Os primeiros meses de 2014
registaram um crescimento de 11,1% de turistas estrangeiros e 12,4% de
nacionais em relação ao mesmo período do ano anterior. O número de passageiros
que aterraram no Aeroporto Francisco Sá Carneiro tem assinalado um crescimento
médio de 10% ao ano. A disponibilidade de camas também vem aumentando a um
ritmo ainda mais acelerado (perto de 30% ao ano).
O
maior desafio para o sector, no presente, é aumentar o valor dos gastos dos
visitantes e fazer com que tenham estadias mais prolongadas na região. Para
isso é necessária uma aposta nos serviços complementares, que induzam o aumento
do tempo de permanência média neste território. Neste sentido, a
disponibilização de um calendário de eventos de projeção internacional é
importante para reforçar as motivações e promover a fidelização do turista.
Esta realidade pode ser observada em destinos concorrentes de Portugal, onde
existe um grande esforço na criação de acontecimentos regulares.
Na
nossa região, vários municípios têm apostado no automobilismo como um eixo
desta estratégia de marketing das áreas-destino. Montalegre é já uma referência
no rallycross, Vila Real retomou o circuito com pretensões de
internacionalização e Murça a sua rampa. Outros municípios como Sabrosa ou
Mesão Frio também têm realizado as suas provas.
O
impacto económico parece evidente. Não há ainda resultados dos estudos
realizados para os maiores eventos como as corridas de Vila Real, mas a simples
observação leva a crer que tenha sido um êxito também na vertente de negócio. É
necessário que se continuem a realizar periodicamente, pois só assim será
possível assumirem-se como uma atividade chave na atração de turistas.
Voltando
ao Rally de Portugal, a justificação apresentada para o retirar do apoio foi a
alteração de estratégia no que toca à promoção turística, optando a entidade
governativa por um reforço do trabalho de cooperação direta com as empresas na
abordagem a novos mercados e na comercialização dos seus produtos.
Assim,
fica a questão sobre que motivos levaram o Governo a modificar a atual
estratégia de promoção que tem apresentado bons resultados. E instala-se a
preocupação, uma vez que a aposta regional no automobilismo terá que ser
apoiada e muito bem articulada entre os agentes locais e nacionais, não só ao
nível da realização e execução das provas, mas também na sua promoção,
divulgação e financiamento.

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