Os jovens portugueses estão preparados, mas faltam
oportunidades. A prioridade do país para o próximo quadro comunitário de apoio deve
ser a construção de um Portugal mais novo e com futuro. Há que privilegiar mais
a economia real e o emprego do que bancos novos, sejam eles bons ou maus.

O dia internacional
da juventude foi a data escolhida pelo INE para divulgar a informação sobre a
evolução da população jovem na última década. Assim, o seu número diminuiu em quase meio milhão, o desemprego dobra a
média nacional e os salários minguaram. Aumentaram os que residem em casa dos pais e muitos
emigraram. Paralelamente, dominam a informática,
a internet e conhecem pelo menos uma língua estrangeira. As qualificações melhoraram.
O corolário
é óbvio: os jovens têm imensa dificuldade em aplicar os seus conhecimentos e habilitações,
por falta de oportunidades e empregos.
Esta
situação configura um desperdício de recursos não só para os mais novos, mas
também para a globalidade da economia, que não realiza todo o seu potencial. Podemos
questionar sobre o incremento na riqueza nacional, se esta geração constituísse
uma força de trabalho ao serviço da nação?
As entidades
europeias e nacionais parecem cientes do problema. Contudo as respostas têm
sido débeis, geralmente através de estágios e formação
profissional.
Só nesta
legislatura surgiram o “plano estratégico de iniciativas de promoção
da empregabilidade jovem e de apoio às PME”, o “impulso jovem” e o “passaporte
emprego”. Nada vingou. Seguiu-se a “Garantia Jovem”, com medidas de índole semelhante
que, sem espanto, terá resultado igual no final do dia, com a agravante da redução do tempo dos estágios-emprego em 25%. Mais
recentemente aparece a ideia da reforma em part-time,
inspirada no contrato geracional de François
Hollande, visando combater simultaneamente o
desemprego jovem e o de longa duração. A medida é de execução e controlo tão
complicado que, tal como em França, também não se lhe augura grandes resultados
por cá.
Keep it simple. Os
jovens precisam de um programa bem estruturado, robusto e devidamente
financiado. Exigem ser considerados uma verdadeira prioridade nacional.
Vem aí uma
nova vaga de fundos comunitários. Parece haver consenso quanto à sua aplicação
no território, priorizando o interior do país. Seria conveniente a
assunção, igualmente, de uma dimensão geracional dando máxima prioridade à
juventude, destinando-se-lhe uma boa percentagem da verba. Porque não 25% dos
20 mil milhões de euros? – valor equivalente ao destinado ao “Novo Banco”.
É o
emprego o fator fundamental que determina a fixação de jovens, a localização
das famílias ou a decisão de ter filhos. Assim, utilizem-se os fundos
disponíveis em organizações, públicas ou privadas, que de forma real e
definitiva, sem precariedade, condições restritivas de contrapartida ou part-time, empreguem os jovens do nosso
país. Assuma-se a entrada obrigatória no mercado laboral de um jovem por cada cidadão
reformado.
O relatório do Eurostat sobre o “envelhecimento activo e a
solidariedade entre gerações” alerta para a potencial disputa geracional pela
partilha de recursos. O conflito deve ser evitado. Mas tem
que haver uma prioridade de disponibilização de recursos que contribuam para a
construção de um Portugal mais novo e com futuro. Mais do que para um novo
banco.
Artigo Publicado no Diário de Notícias, dia 24 de Agosto de 2014

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