segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Prioridade ao emprego para um Portugal mais jovem

Os jovens portugueses estão preparados, mas faltam oportunidades. A prioridade do país para o próximo quadro comunitário de apoio deve ser a construção de um Portugal mais novo e com futuro. Há que privilegiar mais a economia real e o emprego do que bancos novos, sejam eles bons ou maus.
 Diário de Notícias
O dia internacional da juventude foi a data escolhida pelo INE para divulgar a informação sobre a evolução da população jovem na última década. Assim, o seu número diminuiu em quase meio milhão, o desemprego dobra a média nacional e os salários minguaram. Aumentaram os que residem em casa dos pais e muitos emigraram. Paralelamente, dominam a informática, a internet e conhecem pelo menos uma língua estrangeira. As qualificações melhoraram.
O corolário é óbvio: os jovens têm imensa dificuldade em aplicar os seus conhecimentos e habilitações, por falta de oportunidades e empregos.
Esta situação configura um desperdício de recursos não só para os mais novos, mas também para a globalidade da economia, que não realiza todo o seu potencial. Podemos questionar sobre o incremento na riqueza nacional, se esta geração constituísse uma força de trabalho ao serviço da nação?
As entidades europeias e nacionais parecem cientes do problema. Contudo as respostas têm sido débeis, geralmente através de estágios e formação profissional.
Só nesta legislatura surgiram o “plano estratégico de iniciativas de promoção da empregabilidade jovem e de apoio às PME”, o “impulso jovem” e o “passaporte emprego”. Nada vingou. Seguiu-se a “Garantia Jovem”, com medidas de índole semelhante que, sem espanto, terá resultado igual no final do dia, com a agravante da redução do tempo dos estágios-emprego em 25%. Mais recentemente aparece a ideia da reforma em part-time, inspirada no contrato geracional de François Hollande, visando combater simultaneamente o desemprego jovem e o de longa duração. A medida é de execução e controlo tão complicado que, tal como em França, também não se lhe augura grandes resultados por cá.
Keep it simple. Os jovens precisam de um programa bem estruturado, robusto e devidamente financiado. Exigem ser considerados uma verdadeira prioridade nacional.
Vem aí uma nova vaga de fundos comunitários. Parece haver consenso quanto à sua aplicação no território, priorizando o interior do país. Seria conveniente a assunção, igualmente, de uma dimensão geracional dando máxima prioridade à juventude, destinando-se-lhe uma boa percentagem da verba. Porque não 25% dos 20 mil milhões de euros? – valor equivalente ao destinado ao  “Novo Banco”.
É o emprego o fator fundamental que determina a fixação de jovens, a localização das famílias ou a decisão de ter filhos. Assim, utilizem-se os fundos disponíveis em organizações, públicas ou privadas, que de forma real e definitiva, sem precariedade, condições restritivas de contrapartida ou part-time, empreguem os jovens do nosso país. Assuma-se a entrada obrigatória no mercado laboral de um jovem por cada cidadão reformado.

O relatório do Eurostat sobre o “envelhecimento activo e a solidariedade entre gerações” alerta para a potencial disputa geracional pela partilha de recursos. O conflito deve ser evitado. Mas tem que haver uma prioridade de disponibilização de recursos que contribuam para a construção de um Portugal mais novo e com futuro. Mais do que para um novo banco.

Artigo Publicado no Diário de Notícias, dia 24 de Agosto de 2014

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