A
leviandade com que o Governo fecha serviços ou instituições na nossa região,
não dando sequer uma justificação clara e objetiva na maioria das vezes, só
pode deixar qualquer transmontano e alto-duriense de cabelo em pé.
Mais
grave se torna, quando somos confrontados com declarações como as proferidas esta
semana pelo Sr. Primeiro-ministro, em que qualifica o interior com adjetivos de
lata amplitude como “caro” ou “ineficiente”. Dizer essas palavras, não apresentando
dados concretos ou estudos que o suportem é de uma injustiça tremenda.
O
Governo deve operar com o rigor e exatidão que as circunstâncias exigem. O “caro”
e o “barato” devem ser quantificados e medidos. Se assim fizer, certamente que chegará
à conclusão inversa. O que nos sai caro é o centralismo. O
desperdício é decerto maior nos serviços e organismos de Lisboa.
Além de que o custo em euros não pode
ser o único critério.
A gestão estratégica de uma empresa,
serviço ou território, pública ou privada, implica sempre medição e avaliação
de resultados. Mas não apenas desempenhos financeiros. O usual é considerar-se
igualmente, e na mesma medida, a perspetiva dos clientes externos, dos
processos internos e da aprendizagem e crescimento. É esse equilíbrio que
permite, principalmente, estabelecer objetivos organizacionais e realimentar o
processo contínuo da estratégia, num horizonte de futuro.
É urgente parar com os encerramentos de
entidades, que apenas por não cumprirem um qualquer rácio que inclui a
população em numerador têm o seu destino traçado.
Não se podem ignorar os efeitos
devastadores desta política. São evidentes sob a forma de desemprego, êxodo
para o litoral e emigração para o estrangeiro. E sem pessoas no território, fica
impossibilitada a reconversão da população numa outra área de atividade.
Perdem-se assim os ganhos de produtividade atribuíveis ao agrupamento
geográfico das populações ou das atividades económicas, as chamadas economias
de aglomeração.
Há que mudar mentalidades. O país não
tem futuro sem solidariedade social, geracional e territorial. Desenvolver
Portugal plenamente passa por atuar em toda a sua extensão: 100% das pessoas em
100% do território. Com esta multiplicação construiremos um Portugal a 10.000%,
mais equilibrado, igualitário e sem deixar ninguém para trás.
O
interior não é “caro”, nem “ineficiente” e os seus residentes devem desafiar o
Governo a fechar, isso sim, os serviços, fundações e institutos que são dispendiosos
e inúteis neste país. Os que estão a mais. E sabemos bem que não estão nas
regiões periféricas.

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