sexta-feira, 8 de agosto de 2014

O interior não é "caro" nem "ineficiente"


A leviandade com que o Governo fecha serviços ou instituições na nossa região, não dando sequer uma justificação clara e objetiva na maioria das vezes, só pode deixar qualquer transmontano e alto-duriense de cabelo em pé.
Mais grave se torna, quando somos confrontados com declarações como as proferidas esta semana pelo Sr. Primeiro-ministro, em que qualifica o interior com adjetivos de lata amplitude como “caro” ou “ineficiente”. Dizer essas palavras, não apresentando dados concretos ou estudos que o suportem é de uma injustiça tremenda.
O Governo deve operar com o rigor e exatidão que as circunstâncias exigem. O “caro” e o “barato” devem ser quantificados e medidos. Se assim fizer, certamente que chegará à conclusão inversa. O que nos sai caro é o centralismo. O desperdício é decerto maior nos serviços e organismos de Lisboa.
Além de que o custo em euros não pode ser o único critério.
A gestão estratégica de uma empresa, serviço ou território, pública ou privada, implica sempre medição e avaliação de resultados. Mas não apenas desempenhos financeiros. O usual é considerar-se igualmente, e na mesma medida, a perspetiva dos clientes externos, dos processos internos e da aprendizagem e crescimento. É esse equilíbrio que permite, principalmente, estabelecer objetivos organizacionais e realimentar o processo contínuo da estratégia, num horizonte de futuro.
É urgente parar com os encerramentos de entidades, que apenas por não cumprirem um qualquer rácio que inclui a população em numerador têm o seu destino traçado.
Não se podem ignorar os efeitos devastadores desta política. São evidentes sob a forma de desemprego, êxodo para o litoral e emigração para o estrangeiro. E sem pessoas no território, fica impossibilitada a reconversão da população numa outra área de atividade. Perdem-se assim os ganhos de produtividade atribuíveis ao agrupamento geográfico das populações ou das atividades económicas, as chamadas economias de aglomeração.
Há que mudar mentalidades. O país não tem futuro sem solidariedade social, geracional e territorial. Desenvolver Portugal plenamente passa por atuar em toda a sua extensão: 100% das pessoas em 100% do território. Com esta multiplicação construiremos um Portugal a 10.000%, mais equilibrado, igualitário e sem deixar ninguém para trás.

O interior não é “caro”, nem “ineficiente” e os seus residentes devem desafiar o Governo a fechar, isso sim, os serviços, fundações e institutos que são dispendiosos e inúteis neste país. Os que estão a mais. E sabemos bem que não estão nas regiões periféricas. 



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