domingo, 8 de março de 2015

Ainda se pergunta às mulheres portuguesas, em entrevistas de emprego, se pretendem engravidar

Aproxima-se o Dia Internacional da Mulher, 8 de Março, que invoca as manifestações femininas por melhores condições de trabalho e direito de voto, no início do século XX e lembra também as conquistas sociais, políticas e económicas das mulheres, bem como as discriminações e as violências a que muitas ainda estão sujeitas em todo o mundo. É uma boa oportunidade para refletir sobre o papel da mulher na vida política, laboral e cívica e o défice da sua representação nos órgãos decisórios da comunidade. Fazemo-lo devido à pertinência da data, mas também porque parece haver um retrocesso nesta matéria.
Ainda recentemente, várias médicas denunciaram a um advogado da Ordem dos Médicos que, nos concursos de seleção para unidades do Serviço Nacional de Saúde lhes era perguntado se pretendiam engravidar, o que motivou as seguintes declarações por parte do bastonário da Ordem dos Médicos: "As mulheres têm cada vez menos condições para engravidar. Não se dá estabilidade nem condições de trabalho com dignidade e ainda se põem entraves. Perante isto, tudo o que se possa falar de medidas para aumentar a taxa de natalidade é uma hipocrisia".
Este é um bom exemplo, a demonstrar que ainda falta um longo caminho para a igualdade de oportunidades e verdadeira equidade. As mulheres ganham menos do que os homens, raramente ocupam cargos de poder e sofrem níveis de exclusão social desproporcionalmente superiores aos homens.
No meio político é o Partido Socialista quem lidera nestas matérias. O caminho tem sido feito através da imposição de quotas para aumentar a proporção de mulheres eleitas e simultaneamente reforçar a capacidade das mulheres no que se refere a desempenhar um papel eficaz. Isso implica um conjunto de medidas capazes de conciliar a vida politica e cívica da mulher com o seu papel na sociedade. Como exemplos, podemos referir campanhas de sensibilização para despertar da consciência do género, regimes fiscais mais favoráveis ou a concessão de prémios ou distintivos de qualidade às empresas que colaborem na promoção da igualdade de oportunidades. Há ainda que incrementar a possibilidade de trabalho a tempo parcial, para que mulheres e homens possam conciliar trabalho e vida familiar.

Para finalizar, referir que é ainda baixo o número de mulheres que ocupam cargos públicos. Na Europa ronda os 20%, com exceção dos países nórdicos onde a percentagem de mulheres ronda os 42%, devido às boas políticas de valorização da mulher e conciliação da vida profissional, pessoal e cívica. Devemos igualmente lembrar o papel que a Democracia tem desempenhado. Desde os combates épicos travados pelas mulheres para obterem o direito de voto, as mulheres tiveram sempre um aliado poderoso nas sociedades democráticas. 

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