Preocupados com a estagnação
económica, o desemprego, a quebra de rendimentos e a deflação provocadas pelas políticas
de austeridade, as instituições europeias começaram a alterar a sua política económica
e financeira.
Em Novembro, a Comissão Europeia
apresentou o “Plano Juncker” e no mês passado divulgou uma nova interpretação
das regras do Plano de Estabilidade e Crescimento, incentivando os Estados
Membros a contribuírem com investimento público de forma a conseguir um efeito
multiplicador capaz de alavancar um plano inicial de 21 mil milhões de euros,
que se transformaria em 315 mil milhões para dar uma nova dinâmica de
crescimento às empresas da zona euro e consequentemente ao emprego. Mais recentemente,
o Banco Central Europeu anunciou a decisão de avançar para um programa de
compra de dívida pública dos países da área do Euro.
São mudanças que vão no sentido
sempre defendido pelo Partido Socialista. Já o Primeiro-Ministro, Passos
Coelho, sempre pronto a colocar-se do lado dos interesses da Alemanha, desvalorizou
estas medidas: devia fazer o contrário.
Na Grécia, deixando clara a vontade de permanecer na União
Europeia e no Euro, mas cansados dos resultados que as políticas europeias
deixaram no seu país e sentindo-se asfixiados pela austeridade excessiva e pela
dívida, os gregos decidiram, democraticamente, eleger um Governo que afirmava
uma mudança mais rápida e radical no seu país.
Veremos o que sucede. Na certeza porém que Portugal é um dos
principais interessados em que a situação na Grécia evolua positivamente, num
ambiente de negociação e de compromisso. A verdade é que a política da Troika - e dos que foram além da Troika, como Passos Coelho - deixou
marcas profundas nos países do Sul da Europa. Sabemos bem os efeitos das
políticas de austeridade. Basta ver o caos na saúde ainda este Inverno.
É altura de toda a Europa perceber que sem respeito mútuo e
igualdade entre todos os Estados Membros, a União Europeia não terá futuro. E o
Governo português deveria estar empenhado em afirmar isso mesmo. No passado fim
de semana o movimento espanhol “Podemos”, (irmão do partido vencedor na Grécia,
o Syriza), juntou um mar de gente numa marcha de contestação em Madrid. Em Portugal,
o perpetuar de uma situação em que são cada vez mais os cidadãos em estado de
pobreza, ou os jovens sem emprego, pode também originar uma solução menos
moderada.

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