quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

A reforma dos contentores

O novo mapa judiciário é bem o exemplo da falta de consideração deste Governo para com o interior do país. Os resultados estão à vista: julgamentos em contentores, sistema informático sem resposta, Justiça parada e com todos os Agentes Judiciários à beira de um ataque de nervos por não poderem trabalhar. Primeiro encerram-se os tribunais, deslocam-se os processos fisicamente e depois logo se vê, terá pensado a ministra Paula Teixeira da Cruz.
O Distrito de Vila Real é um dos mais afetados pela implementação em curso do novo mapa judiciário, com o encerramento dos tribunais em Boticas, Murça, Sabrosa, Mesão Frio e o esvaziamento de jurisdição do tribunal de Mondim de Basto, transformado em mera secção de proximidade.
A justiça ficou mais longe das populações, e assim o acesso à justiça muito dificultado. Este é um território de orografia difícil, e sem rede de transportes públicos. É diferente percorrer 90Km na área metropolitana de Lisboa ou na nossa região (entre Montalegre e Vila Real, por exemplo), como ficou demonstrado nos recentes dias de neve e gelo.
Outro aspeto de realce foi o colapso do sistema Citius durante mais de noventa dias, o que teve graves implicações no andamento da Justiça, já habitualmente com muitos atrasos nos agendamentos.
            Também a dignidade do exercício desta importante função de soberania foi gravemente afetada. As alterações ao tribunal de Vila Real, que absorveu uma grande parte das competências dos tribunais encerrados, resultaram numa solução de montagem de contentores para suprir a falta de espaços, que apresenta notórios problemas de insonorização. Estas deficientes condições de trabalho para os Oficiais de Justiça e Magistrados podem até ter reflexos na sua saúde, dados os problemas de humidade e isolamento térmico. Verifica-se também a ausência da privacidade necessária aos atos judiciais.
Na cidade de Vila Real, é suposto que os serviços fiquem repartidos entre o atual edifício do tribunal e o “Ex-DRM” (edificação que pertenceu ao Ministério da Defesa Nacional e foi utilizado pela UTAD), que seria agora alvo de obras de remodelação e adaptação. No entanto, registamos com estranheza que ainda esteja pendente de resposta por parte do Ministério da Justiça a pergunta que fizemos em Novembro, sobre se esta estrutura já se encontra formalmente alocada ao Tribunal de Vila Real e qual o projeto para a sua requalificação.
É nossa intenção salvaguardar que esta solução de contentores seja temporária.

Da agenda do próximo Governo terá que constar a reabertura dos tribunais encerrados.

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